De Quanta Terra Precisa um Homem? Uma reflexão sobre Tolstói
Sabe quando você termina de ler um livro, fecha a capa e fica olhando para o nada, repensando a sua vida? Pois é. Recentemente mergulhei na leitura do livro "De Quanta Terra Precisa o Homem? e Outras Histórias", do russo Liev Tolstoi, e foi esse sentimento que tive.
Ainda não conhecia esse autor, mas sei que escreveu livros famosos que são calhamaços de mais de mil páginas, como Guerra e Paz. Então, quando vi esse pequeno livro com suas humildes 94 páginas, pensei: essa é uma oportunidade de conhecer esse cara de que tantou ouço falar. Que satisfação por ter adquirido esse livro. Por ser uma escrita mais antiga, pensei que seria um livro de difícil compreensão, mas é o completo oposto: o livro é claro, com uma liguagem simples, semelhante a parábolas, mas que carregam uma profundidade que atingem até o interior do nosso coração.
Nessa resenha, desejo compartilhar por que esses contos, apesar de escritos a tanto tempo, continuam mais atuais do que nunca.
Ainda não conhecia esse autor, mas sei que escreveu livros famosos que são calhamaços de mais de mil páginas, como Guerra e Paz. Então, quando vi esse pequeno livro com suas humildes 94 páginas, pensei: essa é uma oportunidade de conhecer esse cara de que tantou ouço falar. Que satisfação por ter adquirido esse livro. Por ser uma escrita mais antiga, pensei que seria um livro de difícil compreensão, mas é o completo oposto: o livro é claro, com uma liguagem simples, semelhante a parábolas, mas que carregam uma profundidade que atingem até o interior do nosso coração.
Nessa resenha, desejo compartilhar por que esses contos, apesar de escritos a tanto tempo, continuam mais atuais do que nunca.
Conto principal: O anseio de querer mais
Aqui temos uma das melhores metáforas que define com perfeição a ganância humana. Nesse conto, acompanhamos Pakhóm, um camponês que, até então, vivia uma vida humilde e honesta e, após a visita de sua cunhada, se vê consumido por um pensamento que fica fixado em sua mente: se eu tivesse terra o suficiente, não temeria nem o próprio diabo.
O diabo, que estava por perto e ouviu esse pensamento ousado do camponês, aceitou o desafio. A partir desse momento, vemos a corrida insaciavel de Pakhóm para conseguir mais terras, e mesmo conseguindo, nunca está satisfeito. Ou a terra ao lado é mais fértil, ou os vizinhos incomodam, ou descobre outro local com mais hectáres por um preço mais barato. A situação atual nunca é o suficiente.
A grande virada acontece quando ele visita o povoado dos Bachkires. Eles fazem uma proposta, que até então, parecia absurda de tão boa: por mil rublos, Pakhóm pode ter toda a terra que conseguir cercar caminhando, do nascer ao pôr do sol. A única regra é: se ele não voltar ao ponto de partida antes do sol se pôr, perde o dinheiro e a terra.
Pakhóm começa a correr. Ele vê uma linda colina e pensa: "Vou esticar só mais um pouquinho até ali". Depois vê um vale úmido e decide: "Nesse pedaço, posso plantar linhaça". O anseio de querer mais e mais deixa o camponês cego de desejo. O final — que eu não quero dar spoiler completo — é uma das lições mais humildes sobre a nossa condição mortal. No fim das contas, de quanta terra a gente realmente precisa?
O diabo, que estava por perto e ouviu esse pensamento ousado do camponês, aceitou o desafio. A partir desse momento, vemos a corrida insaciavel de Pakhóm para conseguir mais terras, e mesmo conseguindo, nunca está satisfeito. Ou a terra ao lado é mais fértil, ou os vizinhos incomodam, ou descobre outro local com mais hectáres por um preço mais barato. A situação atual nunca é o suficiente.
A grande virada acontece quando ele visita o povoado dos Bachkires. Eles fazem uma proposta, que até então, parecia absurda de tão boa: por mil rublos, Pakhóm pode ter toda a terra que conseguir cercar caminhando, do nascer ao pôr do sol. A única regra é: se ele não voltar ao ponto de partida antes do sol se pôr, perde o dinheiro e a terra.
Pakhóm começa a correr. Ele vê uma linda colina e pensa: "Vou esticar só mais um pouquinho até ali". Depois vê um vale úmido e decide: "Nesse pedaço, posso plantar linhaça". O anseio de querer mais e mais deixa o camponês cego de desejo. O final — que eu não quero dar spoiler completo — é uma das lições mais humildes sobre a nossa condição mortal. No fim das contas, de quanta terra a gente realmente precisa?
